Notch do Zenfone 5: cópia ou inspiração?

A Mobile World Congress 2018 foi um sucesso. Novos smartphones com telas de ponta a ponta, fabricantes chinesas com opções bem segmentadas (como baterias enormes) e, é claro, o notch. O tal entalhe ou recorte no topo da tela apareceu em um monte de smartphones, levantando a questão da cópia vs. inspiração no iPhone X.

Não somente o tal entalhe apareceu em outros aparelhos, mas também o design de forma geral, como nós até mostramos em tom de brincadeira no vídeo Guerra dos Clones. O fenômeno, que está longe de ser tímido, tem sido explicado como inspiração no Essential Phone, por exemplo; mas o “notch” dele não chega nem perto do utilizado pelo novo iPhone.

Seguindo esta analogia, é mais fácil falar que o iPhone X pode, sim, ter se inspirado no Essential Phone, com um notch um pouco maior para abrigar o Face ID e outros sensores; de tal modo, é mais difícil afirmar o mesmo sobre a Asus (e outras fabricantes) ter se inspirado no Essential, já que o seu notch é basicamente igual ao do novo iPhone - porém 26% menor (e com menos sensores, também).

“Só tem uma empresa hoje que consegue fazer o vertical; o nome dela é Apple. Todo mundo [fabricantes] que tem Android e for no caminho vertical vai falhar”. Essa fala foi de Marcel Campos, hoje diretor de marketing global da Asus, durante uma entrevista para o Canaltech em junho de 2016.

Marcel Campos no palco da MWC 2018 e seu polêmico texto que chama o iPhone X de Fruit Phone

Na mesma ocasião, o executivo cita que a Asus segue o padrão do mercado, que é quem de fato determina o modo como a indústria deve trabalhar. Na semana passada, ao apresentar seu primeiro smartphone na MWC, vemos que ela abraça as tendências e traz um Zenfone 5 que “é mais voltado para o que as pessoas querem.”

E, de certa forma, ele não está errado ao falar isso. Só foi a MWC acontecer que uma série de vazamentos apareceram com smartphones utilizando o tal notch semelhante ao do iPhone X. Não que este seja um formato excelente (olha a Samsung aí, meu povo!), mas é notável que a Apple ainda dita certas tendências - mas ainda bem que eles não seguiram o rumo de tirar o conector para fones!

Durante a conversa com Marcel Campos, mencionei um papo que tivemos em que o executivo disse que cerca de 80% da produção de telas na China já vem preparada para o formato: “até o final do ano você vai ter todo mundo indo pro notch. E quem não for vai ter tela cara pra caramba, porque o volume vai estar na tela notch, aí o custo cai.”

A atual versão do Android (Oreo) não está preparada para esse tipo de entalhe. Eu mesmo vi em alguns estandes modelos que usam esse padrão na tela, mas os apps proprietários das fabricantes ficam meio bugados, com layout não adaptado. Isso deve mudar no próximo Android, segundo este artigo de Mark Gurman para o Bloomberg.

É reportado que a Google está projetando o Android P com melhorias no visual e com suporte para os entalhes de câmera e sensores. Não especificamente um notch igual ao do iPhone X, mas sim, nós podemos ver dezenas de celulares nos próximos meses que usam o tal recorte, ou topete, ou linguinha, ou do jeito que você prefere chamar.

Mas não se sinta acanhado ao comentar sobre o notch. Na análise do iPhone X, eu cito que “não, não dá pra simplesmente ignorar esse recorte no topo. Dá pra conviver com ele, mas sempre em uma página clara você perceberá ainda mais a sua existência.”

Há quem goste e teça comentários excelentes sobre o entalhe, e também há quem fique com um pé atrás por causa da diferenciação no layout. E, em sua fala, Campos cita que “uma coisa é tendência que você não pode fugir, se não você morre. É a história da BlackBerry.”

Mas o que as pessoas realmente querem nos smartphones? Na explicação do executivo, as pessoas querem telas maiores, como no Galaxy S8, S9 e outros modelos com o tal “Display Infinito”, termo considerado burro [sic.] pelo executivo “porque de infinito não tem nada.”

iPhone X vs Zenfone 5 (Foto: Wellington Arruda / Canaltech)

O Zenfone 5 entrega muitas funcionalidades e recursos interessantes para smartphones intermediários premium e tops de linha (no caso do 5z). Cheios de inspirações, os dois celulares têm telas grandes, som estéreo, Inteligência Artificial aplicada para melhorias e usos tradicionais (como nas câmeras, desempenho, tela, bateria e outros); normalmente nós vemos esse tipo de recursos em celulares mais caros, então é legal ver isso num modelo mais acessível.

Mas, falando assim, parece até que a Asus quer ficar nas asas da Apple porque é uma fórmula que claramente dá muito certo. Mas só até a empresa começar a criar as suas próprias tendências, como citado por Campos. Seja inspiração ou cópia, diga-se de passagem, o Zenfone 5 tem semelhanças até demais com o iPhone X.

Nos últimos anos nós até reclamamos que os smartphones se parecem demais. Até hoje nós vemos modelos iguais ao iPhone 7 Plus, e provavelmente veremos mais alguns outros “iguais” daqui pra frente.

“Mas, assim, tendências são coisas que líderes de mercado normalmente criam”, como citou Marcel Campos, e eu também concordo que estas empresas se inspiram em outras menores (ao ponto de até comprar algumas delas para adotar suas tecnologias).

A Asus não fez errado, pelo contrário: a fabricante trouxe um smartphone com design bonito com tela de 6,2” (em um corpo de 5,5”) cobrindo 90% do corpo, hardware potente (Snapdragon 845 e até 8 GB de RAM) e câmeras com ótimos recursos e sensores.

O preço também fica bem abaixo do novo iPhone, e isso certamente pode impulsionar as vendas da empresa, já que todo mundo está olhando para ela.

Seguindo as tendências do mercado e entregando o que o público quer, o Zenfone 5 e Zenfone 5z tem tudo para conquistar os consumidores. E ele saiu na frente nessa corrida: sem sombra de dúvidas, o smartphone foi o modelo com notch que mais chamou atenção na feira – e também fora dela.

O Zenfone 5 tem data de lançamento estipulada para o segundo semestre de 2018 no Brasil e ainda não tem preço definido. Agora só nos resta aguardar a jogada de outras fabricantes, pois a Asus já fez a dela.

Ah, e o notch está aí mesmo e vai chegar em outros smartphones, sim. Mas como dito por Campos, “como tecnologia e indústria, essa não é a solução perfeita”, e as empresas vão trabalhar nos próximos anos para criar soluções mais específicas e talvez até futuristas para fugir do tal entalhe.

O Essential Phone, por exemplo, que foi citado inúmeras vezes nos corredores da feira, deve ganhar um redesign interessante na próxima geração, então vamos torcer para vermos smartphones cada vez mais inovadores no mercado.

O discurso voltado para as inspirações, mais uma vez, não é novo e segue firme rumo às tendências. Isso não é novidade, e é como uma alusão que Campos fez na nossa conversa: será que eu estou me inspirando ou copiando o jeito do YouTuber Marques Brownlee? Será que a Asus está se inspirando ou copiando o jeito da Apple de fazer smartphones?

Fonte: Canaltech

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